Feeds:
Posts
Comentários

Archive for janeiro \28\UTC 2009

Brasil em 1850

O jurista Agostinho Marques Perdigão Malheiro nasceu na cidade de Campanha, na província de Minas Gerais, em 1824, falecendo no Rio de Janeiro em 1881. Foi membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e Presidente Honorário da Ordem dos Advogados Brasileiros, Procurador dos Feitos da Fazenda Nacional, curador de africanos livres, entre outras funções. Presenciando, na decáda dos 60 a Guerra doParaguai e a Guerra Civil norte americana, Perdigão Malheiro escreveu, entre 1864 e 1867, os três volumes do seu mais importante livro – A Escravidão no Brasil: ensaio histórico, jurídico, social. Publicado pela Imprensa Nacional, sob a proteção do Imperador D. Pedro II, o último volume saiu do prelo em 1867, um ano antes da queda do ministério liberal de Zacarias de Góis. Em 1868, com a subida do Gabinete conservador comandado pelo Visconde de Itaboraí, as reformas referentes à escravidão são paralisadas. O livro de Perdigão Malheiro se destaca por influenciar enormemente os debates acerca das reformas na instituição escravocrata que estavam ocorrendo no último quartel do século XIX.. Todos os pontos relativos à escravidão são analisados pelo jurista mineiro, sendo suas análises debatidas a fundo por intelectuais e políticos do seu tempo.

Era filho do Ministro do Supremo Tribunal Federal, ao tempo do Império, Agostinho Marques Perdigão Malheiro.

Para se ter uma idéia, a 1ª edição de “A Escravidão no Brasil” está sendo vendida, pela Estante Virtual, por R$ 1500,00.

Em 1850 escreveu o seguinte livro

livro1850

Um livro interessante para quem quer ler sobre a história do Brasil. Nele, Agostinho dedica um capítulo para descrever a “Riqueza Natural” do paiz:

He proverbial a riqueza do Brazil em todos os reinos da natureza. Em huma extensão immensa de costa banhada pelo Atlantico são os seus mares abundantissimos da mais variada pesca desde a rainha do Oceano, a balêa, até os mais insignificantes peixes: assim como são tambem summamente piscosos os seus rios, em alguns dos quaes abundão tartarugas. Em terra ha a mais variada profusão de todos os animaes desde o tigre temivel até o mimoso saguim, desde o condôr-rei até o delicado beija-flôr. As suas mattas immensas fornecem toda a sorte de madeiras de construcção, de tinturaria, de marceneria, &c: e além disto o reino vegetal offerece tudo quanto he indispensavel á vida quer para vestuario e alimento, quer para restabelecimento da saude. No reino mineral temos ouro, de que se torna digna de menção a mina de Congo-Socco na Provincia de Minas Geraes, pertencente a huma companhia ingleza que della tem extrahido milhões e milhões de libras deste metal; diamantes, de que n’outro tempo se extrahio quantidade enorme nesta mesma Provincia; amethystas e outras pedras preciosas; ferro, de que existe uma mina abundantissima, e fabrica em S. João de Ipanema na Provincia de S. Paulo: tambem consta que existem minas de carvão de pedra, sobretudo na Provincia de Santa Catharina; assim como de cobre, chumbo, marmore, e outros mineraes em varias Provincias.

Si quizessemos enumerar todos os objectos que compõe a riqueza, de que a natureza com prodiga mão adornou o nosso paiz, e especificar as Provincias e localidades em que elles mais abundão, seria preciso escrever volumes. Contentemo-nos pois com o que temos dito, ficando certos de que não ha paiz no mundo mais rico em todos os reinos.

Accresce que o Brazil pela sua posição geographica, e astronomica offerece elementos de grandeza e prosperidade que assombrão: terreno o mais fertil possivel; variedade de climas; rios por toda parte capazes de navegação, mesmo para barcos de mais alto bordo, até o interior; e mil outras circumstancias todas favoraveis.

Si a Providencia dotou o nosso paiz com tantos e tão poderosos elementos de riqueza, e grandeza, não foi certamente sem hum fim. E si pelos meios é facil chegar a comprehender-se o fim, devemos confessar que Deos mesmo destina o Brazil a ser hum dia talvez a primeira Nação do Mundo.

Passados mais de 150 anos, sequer chegamos perto de ser a “primeira Nação do Mundo”, mas conseguimos transformar para pior a “proverbial riqueza da natureza” que ele descreve.

Incrível a nossa capacidade…

Read Full Post »

Werther

goetheWerther é o ícone supremo do romantismo. Vez por outra me pego lendo trechos para lembrar tempos em que as paixões mal-sucedidas nos faziam querer morrer.

O romantismo faz uso da natureza como representação de um estado íntimo. A natureza e seus estados são um referencial comum para os sentimentos humanos. Não é à toa que Werther começa sua carta de 10 de maio com “Minha alma inunda-se de uma serenidade maravilhosa, harmonizando-se com a das doces manhãs primaveris que procuro usufruir com tôdas as minhas forças.”

Todos sentimos o que seja a serenidade maravilhosa das manhãs primaveris. E por sentir, nos identificamos com Werther. Daí a grandiosidade de Goethe. Daí a grandiosidade da natureza em ser capaz de nos mostrar o caminho para recuperar algo que já perdemos.

Werther continua descrevendo, por meio da natureza, seu estado de alma:

Estou só e abandono-me à alegria de viver nesta região criada para as almas iguais à minha. Sou tão feliz, meu amigo, e de tal modo mergulhado no tranqüilo sentimento da minha própria existência, que esqueci a minha arte. Neste momento, ser-me-ia impossível desenhar a coisa mais simples; e, no entanto, nunca fui tão grande pintor. Quando em torno de mim os vapôres se elevam do meu vale querido, e o sol a pino procura devassar a impenetrável penumbra da minha floresta, mas apenas alguns dos seus raios conseguem insinuar-se no fundo dêste santuário; quando, à beira da cascata, ocultas sob os arbustos, descubro rente ao chão mil diferentes espécies de plantazinhas; quanto sinto mais perto do meu coração o formigar de um pequeno universo escondido embaixo das ervinhas, e são os insetos, moscardos de formas inumeráveis cuja variedade desafia o observador…

O que faz Werther ser o que é, é ser a exata descrição da realidade vista e vivida por Goethe (com exceção do final, claro). Talvez hoje, quem sabe, ele não seria capaz de escrever algo parecido. Não por falta de genialidade, ou por não mais existir o romantismo, mas por falta das “Mil diferentes espécies de plantazinhas…  um pequeno universo escondido embaixo das ervinhas, e são os insetos, moscardos de formas inumeráveis cuja variedade desafia o observador.

Uma pena. Goethe, já em 1774, bem poderia ter sido o precursor do moderno conceito de biodiversidade. Mas há mais em Werther…

Obs: a grafia foi mantida conforme a edição do livro publicado na coleção “Os Imortais da Literatura Universal”, Abril Cultural, 1ª edição, 1971.
Imagem: Goethe, de Johann Heinrich Wilhelm Tischbein. Daqui.

Read Full Post »

Um hino à natureza!

Um verdadeiro hino à natureza essa música cantada por Louis Armstrong, apesar de ter sido escrita por Bob Thiele e George David Weiss  para outro fim (Wikipédia).

Uma prova de que Arte e Natureza andam juntas!

What a wonderful world!

I see trees of green,

arvore

red roses too

I see them bloom, for me and you,

rosas

And I think to myself, What a wonderful world.

cisnes

I see skies of blue and clouds of white,

ceu

The bright blessed day,

luzes_23

the dark sacred night,

noite

And I think to myself, what a wonderful world

cascata

The colors of the rainbow, so pretty in the sky

Are also on the faces of people goin’ by

double-rainbow

I see friends shaking hands, saying, “How do you do?”

They’re really saying, “I love you.”

apertodemao11

I hear babies cry,

choro

I watch them grow

baby1

They’ll learn much more than I’ll ever know,

10103550

And I think to myself what a wonderful world

terra-eps

Yes I think to myself, what a wonderful world.

terra1

As imagens estão lincadas aos endereços de onde foram copiadas.

Read Full Post »